01 abril 2010

Entrevista de Dourado para Folha UolLeia a seguir a íntegra da entrevista.

Folha - O que fez de diferente para ganhar a vitória agora?

Dourado - Em primeiro lugar, eu tive seis anos de experiência para evoluir na minha vida. Qualquer pessoa que viva seis anos e não aprenda está com algum problema. A educação que a minha família, que os meus professores, que os meus amigos me deram, apesar de ser a mesma criação que eu tinha, da primeira vez eu não consegui me expressar como agora. Desta segunda vez, acho que o público mudou também, entendeu que o jogo não é feio de ser jogado, que existem maneiras... Eu consegui captar as sutilezas do jogo. Foi todo esse contexto que fez com que eu ganhasse.

Folha - Que sutilezas que você captou que te ajudaram na vitória, dentro e "fora" da casa?

Dourado - O [apresentador Pedro] Bial era a nossa única fonte de ligação com o que acontece fora. Ele é obrigado a falar alguma coisa, por mais sutil que seja. Eu sabia que tinha que ler o que ele fala e interpretar, não como coisas pessoais, mas dentro de um contexto. Eu tinha que tentar imaginar o que estava acontecendo.

Folha - Me dá um exemplo que você captou.

Dourado - É uma coisa muito sutil. Toda vez a gente acabava tendo alguma resposta do que tava acontecendo por isso [ele], e por outras coisas... É questão de entender o contexto, não ver uma coisa como ideal ou como uma crítica, estar sempre com a mente aberta.

Folha - Dicesar está acompanhado por seguranças. A família de Eliéser diz que sofreu ameaças de morte. Em ambos os casos, eles dizem que são vítimas de ofensiva da chamada Máfia Dourada, a sua torcida. Como você vê isso?

Dourado - Eu tenho que agradecer a toda pessoa que torceu por mim. Eu não posso responder por todas as pessoas, mas acredito que, dentro de uma torcida tão grande, possa haver pessoas que pensam diferente de outras. Não posso responder por atos de terceiros. Cada um é responsável por seus atos. Se alguém se sentir ameaçado, deve acionar os meios judiciais, legais para fazer valer seus direitos. Se usaram meu nome ou acharam legal o que eu falei na TV e isso me ajudou a ganhar o programa e eles votaram e se identificaram, para mim, é ótimo.Eu, particularmente, não concordo com atos de violência, de segregação. Sou pacifista por natureza, admirador de Mahatma Gandhi. Antes de mais nada, essa é minha vida. Sinceramente, até agora, eu não estou vendo uma grande torcida que fez eu ganhar o programa. Tem que ter muito cuidado em responder perguntas que não saíram diretamente de mim. Atos atribuídos a esse nome não necessariamente refletem o pensamento de todos lá. O verdadeiro jogador é público. Se o público achou que eu era a peça para jogar, para continuar no programa, o grande vencedor do programa é o público. O grande maestro do programa é o público. Eu sou uma peça.

Folha - E a frase "hétero não pega Aids"?

"Dourado -" Foi uma desinformação minha. Eu posso errar numa informação, como muita gente erra. Sou um ser humano, passível de erro. Não tenho problema nenhum em ter errado. Eu queria dizer que todo mundo tem que se cuidar, que a Aids não é uma doença que pega grupos específicos. Ela realmente pode dar em qualquer pessoa que não se previna. Eu não sou médico para dizer. Infelizmente eu cometi um equívoco ao fazer uma análise. Acho que isso é uma coisa facilmente verificada.

Folha - Por trás dessa frase, não havia uma discriminação velada aos homossexuais?

Dourado - Não, de jeito nenhum, de informação. Eu não sei como posso te falar isso daí. Não tem discriminação nenhuma. Cada um age como quer. Eu não tenho poder de julgamento.

Folha - E a sua ONG? Você vai mesmo montar uma ONG?

Dourado - Eu não cheguei a declarar que ia ter uma ONG. Eu declarei que queria fazer um algum trabalho social, mas eu ainda não cheguei a ter a ideia de como. Agora ainda está tudo acontecendo muito rápido, não tive tempo de ver nada. Quando a poeira abaixar e eu puder me concentrar no trabalho especificamente, voltar à minha área de atuação, que é a educação física, pretendo, sim, procurar algum projeto, ver como funciona, desenvolver alguma coisa, vai ser a maneira como eu vou retribuir todo esse carinho que eu tive, com o meu trabalho.

Folha - E o que você vai fazer com o dinheiro?

Dourado - Por enquanto, nada. Ainda estou morando de graça, no hotel que a Globo pagou. Infelizmente ganhei eletrodomésticos em um prêmio, mas eu não tenho nem casa. Fiquei bravo com o programa por causa disso.

Folha - Seu primeiro passo vai ser comprar uma casa, é isso?

Dourado - De repente eu ganho na Páscoa... o coelhinho está chegando.

Folha - Quando você ganhou o poder supremo, você suspeitou que seria o vencedor?

Dourado - De jeito nenhum. Ali poderia ser um momento do jogo apenas, as pessoas terem se solidarizado com algum momento e não especificamente me indicar como campeão. Mas achei gostoso ser escolhido entre 17 participantes, eu me senti agraciado e agradeci muito ao público.

Folha - Teve algum momento que você achou que, dali pra frente, a vitória era certa?

Dourado - Não. Foi suado até o final. Eu sempre pensava até aonde eu podia chegar naquela momento. Quando eu me classifiquei para a final eu pensei que o terceiro lugar estava garantido, depois que o segundo era meu. E foi aí. Eu ainda não acreditei que ganhei.

Folha - Sua mãe teve problema com a mãe do Dicesar?

Dourado - Não teve nada disso. Está tudo bem com a minha mãe. Ela que preferiu ficar em Porto Alegre, para me ajudar lá.

Folha - E você ia mesmo bater na Morango [Angélica]?

Dourado - Jamais. Isso a gente fala no jogo, sob pressão. Jamais agrediria uma mulher, o que é isso? Nunca.

Folha - Nem no jogo nem fora dele?

Dourado - Nunca, jamais. Eu falei que [agrediria] se ela fosse homem, mas ela não é. Eu falei que nenhum homem faria aquilo ali, porque não é atitude de um homem. Prevalece isso. Ela sabia que estava sendo filmada. Ela se achou no direito de fazer aquilo. Eu falei: não é assim que funciona. Foi só isso.

Folha - Que recado você manda para a Máfia Dourada?

Dourado - Em primeiro lugar, agradecer demais os votos, que foram muito importantes para a minha vitória. Dizer que o entendimento entre as pessoas, por maior que sejam os motivos da guerra, nunca vão superar os motivos da paz. A nossa vitória foi conquistada na honra e na lealdade, sempre na inteligência, acima de qualquer outra coisa. Agir com a inteligência e ter compaixão, sem demagogia. O que separa a gente dos animais é a inteligência. Então, a vitória da gente não é ter a cabeça degolada do inimigo e sim ganhar com moral, por cima, sem fazer nada de extravagante.Cada dia da gente é uma luta. Se teve alguém dentro da Máfia Dourada que cometeu algum ato... a melhor maneira é que eu, como eu tenho alguma influência sobre essas pessoas, é que eu, em vez de rejeitá-las, mostrar que existe um outro lado, que nossa amizade pode continuar e, juntos, agirmos de outra maneira para o Brasil ficar melhor, inclusive.

Folha - Sua empresária, Aline Antonoff, divulgou fotos de sua casa, em lugar humilde, o que tocou o país. Isso influenciou votação favorável a você?

Dourado - Não gostei da invasão de privacidade. É um pouquinho demais. Sou um cara que, apesar de estar num jogo, nunca expus minha privacidade, nunca falei do meu relacionamento aqui fora. Sobre problemas familiares, eu não quis expor nada. Não gostei de ver minha casa exposta e devassada. O que eu posso dar para a imprensa e para as pessoas tem um determinado limite. Não posso mostrar minha privada para todo mundo, não é uma coisa que me agrade a ideia. Então, não estou criticando ela...Acho que não seria necessário para eu ganhar o jogo mostrar para todo mundo onde eu moro. Não tem nada demais: moro numa vila de surfistas, na ponta de uma comunidade, perto da praia, sou cercado por surfistas profissionais e amadores, pessoas que vivem de surf. Não tem vergonha nisso. Não concordo com nenhum tipo de invasão de privacidade mais profunda para fazer alguma coisa. Mas quanto à Aline, vou conversar com ela, me entender com ela, com certeza, porque adoro ela, ela e tenho muita admiração por tudo que ela me ajudou.

Folha - Você está sozinho aqui fora?

Dourado - Essa pergunta é muito comprometedora, só respondo na presença dos meus advogados.

Folha - E na casa, você quis ficar com alguém e se segurou?

Dourado - Não, o meu jogo era outro.


*** ***



Milionário, Dourado diz que pretende mudar da favela no RioVencedor do "Big Brother Brasil 10", o lutador Marcelo Dourado, 37, afirmou no início da madrugada desta quarta-feira que pretende mudar de residência em breve com o prêmio de R$ 1,5 milhão. Antes de entrar no programa, ele vivia em uma casa simples na favela do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio.

"O dinheiro, eu vou investir naturalmente, mas eu pretendo dar alguma coisa boa para a minha família, principalmente para os meus irmãos. Acho que um teto para os meus irmãos seria uma boa e uma casa para mim também, que eu nunca tive. Vivia de aluguel numa comunidade do Recreio e agora pretendo ir para algum outro lugar", disse o lutador.
Fonte:www1.folha.uol

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