26 novembro 2011

Um raio-x do cabelo das gaúchas: por que as mulheres preferem os longo

Um raio-x do cabelo das gaúchas: por que as mulheres preferem os longos

Donna conversou com os principais cabeleireiros de Porto Alegre

Um raio-x do cabelo das gaúchas: por que as mulheres preferem os longos  Ricardo Duarte  /
A advogada Maria Fernanda Brandi Carchedi, 29 anos, sempre teve os cabelos compridosFoto: Ricardo DuartePATRÍCIA ROCHA

Salvo as adeptas dos cabelos curtos — que estão em alta —, a maioria das gaúchas prefere as longas cabeleiras. Este é um consenso entre os profissionais da beleza dentro e fora do Estado. Gaúcho radicado em São Paulo desde 1984, o maquiador, cabeleireiro e consultor para campanhas publicitárias, editorias de moda e personagens de TV Duda Molinos avalia que, embora os longos pareçam quase uma preferência nacional, este gosto parece ainda mais evidente no Rio Grande do Sul:

— No Norte e no Nordeste, mais mulheres usam o cabelo mais curto e com uma variedade muito maior de cores em relação ao Sul e ao Centro-Oeste. No Sudeste, elas experimentam mais. Jás as gaúchas sempre foram mais reticentes em cortar o cabelo. Acho que é por a gaúcha ser considerada uma mulher bonita, e de ter o cabelo como um diferencial.

Só as pontinhas, por favor
A cena se repete nos salões (e também nos relatos dos cabeleireiros). O profissional pergunta:
— Vamos mudar?
A cliente responde:
— Só não quero mexer no comprimento!
Ou:
— Corta apenas as pontinhas!
Em 40 anos cortando os cabelos das gaúchos, Paulinho Kacuta diz que clientes dispostas a transformar completamente o visual são raras:
— No decorrer de todo esse tempo, muitas fizeram mudanças, mas uma mudança mas dentro da padrão que estão acostumadas. A mulher gaúcha é uma das mais elegantes, mas ainda é reticente em ousar. Começam a cortar e experimentar mais depois dos 50 anos, quando nem todas se sentem à vontade de cabelos compridos.

São poucas as adeptas de mudanças radicais (ou nem tanto) nos salões — e também na enquete virtual promovida pelo caderno Donna: a grande maioria prefere fazer pequenas variações dentro do seu estilo e comprimento ou simplesmente reprisar o mesmo corte.

O cabeleireiro e maquiador Duda Molinos conta que em suas viagens pelo Brasil para dar palestras percebe que os profissionais de outros Estados têm muito mais possibilidades do que os colegas gaúchos, já que a maioria das mulheres aqui exige manter o comprimento e só uma minoria abraça uma postura mais camaleoa:

— A gaúcha é mais presa ao clássico, ao não errar, ao não ousar. Ela tem um cabelo bonito e quer tê-lo comprido, que é para mostrar que é bonito. É um traço forte que sempre comentamos pelo Brasil afora.

Um traço mais conservador que não se resume apenas ao cuidado com o cabelo no quesito estética, como observa Duda. dono de uma coleção de cosméticos que leva seu nome, Duda comenta que os produtos de cores mais vibrantes (pink e laranja) ou diferentes (como o preto brilhante) sequer são enviados para o mercado gaúcho: suas conterrâneas consomem preferencialmente a paleta de cores convencionais. Da mesma forma, há estilistas que mandam suas peças mais conceituais para Estados como o Amazonas ou o Maranhão, mas se resignam a mandar as peças mais comerciais para o Rio Grande do Sul.

Não à toa, cabeleireiros parecem concordar que a gaúcha é mais tradicional e que deveria ousar mais no corte, experimentar novas possibilidades e tendências. Mas nem todos veem aí necessariamente um problema. Com décadas de experiência, Hugo Moser admite que tem clientes que fazem o mesmo corte há 20 anos — ele próprio pouco ou nada varia seu visual. Mas destaca:

— A gaúcha é uma mulher moderna, mas não é atirada em modinhas que vêm e vão. As modas passam, mas o estilo não. Elas são mais comedidas, não gostam de exagero.

E, acrescenta Hugo, as gaúchas têm tanto cuidado com o cabelo que evitam experimentações que possam dar errado:

— Um cabelo raspado, por exemplo, leva anos para crescer.

E há quem veja mudanças à vista. Com mais de 20 anos de experiência, Édison Soares diz que, embora ainda falte um pouco de atitude, muitas já se permitem cortar o cabelo mais curto, fazer camadas e romper com o padrão "liso, inteiro, abaixo do ombro".

— A pessoa tem que se permitir experimentar. Fico tentando seduzi-las a mudar, e, quando mudam, dizem: "Por que não fiz isso há mais tempo?" — conta Edison. — Elas já se abriram mais, talvez não como deveriam, para ficarem lindas, mais jovens. Mas essa mudança está num crescente.

De volta de uma reunião em Paris, onde representava o Brasil na definição dos looks do verão 2013 da coleção da L'Oreal, o cabeleireiro Cesar Augusto relata que um dos temas debatidos foi as formas de buscar a beleza. Para a asiática, seria demarcar a diferença entre as mulheres, enquanto para as russas pesaria mais a igualdade. Já a latina buscaria justamente a sensualidade.

— Em cidades litorâneas, como o Rio, a sensualidade está no corpo. Em Porto Alegre e no interior do Estado, como não temos litoral e temos meses de frio, o corpo não fica tão exposto e o cabelo assume muita importância — avalia Cesar. — A gaúcha usa o cabelo mais comprido, busca a sensualidade. Não tem nada a ver com ser moderna ou não, mas com o que ela acredita.

O cabeleireiro cogita ainda um traço da cultura regional na preferência das gaúchas pelos cabelos médios e longos:

— É algo ligado à nossa cultura gauchesca, que tem a mulher de trança, ao nosso clima, à nossa posição geográfica.

A herança genética e as loiras acinzentadas

A übermodel gaúcha Gisele Bündchen tem um dos cabelos mais cobiçados e imitados do mundo — inclusive em sua terra natal: sedosos e ondulados, com aquele tom iluminado de loiro. Pois, atestam os cabeleireiros, as madeixas da top ilustram uma herança compartilhada com muitas de suas conterrâneas. A imigração italiana e alemã no Estado contribuiu para fios com textura e movimento que favorecem o cabelo longo, que as gaúchas tanto apreciam.
— As gaúchas têm cabelos bonitos pela genética — resume Hugo Moser.

DONNA ZH

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2011/11/um-raio-x-do-cabelo-das-gauchas-por-que-as-mulheres-preferem-os-longos-3574354.html


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